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Um Tema de Propaganda Dinástica |
ARMINDO DE SOUSA
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«Há na História de Portugal um sem-número de acontecimentos cuja cronologia parece definitivamente adquirida e sobejamente divulgada de tal forma que
bulir-lhe assume foros de ousadia. Figura entre eles o da morte de D. João I, datado, como é sabido, de 14 de Agosto de 1433». Partindo de uma recôndita
declaração do Infante D. Pedro a um texto de cariz legislativo, que antecipa este acontecimento em um dia, Armindo de Sousa percorre e reavalia
sucessivamente os testemunhos conhecidos, desde as crónicas de Rui de Pina e de Gomes Eanes de Zurara até ao Livro dos Conselhos de D. Duarte, passando pelo próprio epitáfio do Mestre de Avis. Num exercício magistral de crítica histórica, o autor fornece-nos as várias chaves de leitura que permitem descodificar
os textos analisados e perceber os mecanismos através dos quais a morte do rei foi convertida num motivo de legitimidade para a nova dinastia.
«Num dos estudos mais marcantes da renovação historiográfica portuguesa dos anos 80, Armindo de Sousa faz, de um testemunho documental que contradiz a unânime afirmação dos cronistas do século XV, o indício de um complexo acto de propaganda política, e reconstitui os pressupostos ideológicos e mentais que lhe dão significado. Com notável erudição, grande sensibilidade aos textos medievais e excepcionais capacidades de análise e de sentido crítico, o autor soube fazer de um pormenor aparentemente insignificante o indício de um complexo feixe de motivações históricas.»
José Mattoso + |
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NATALIE ZEMON DAVIS
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Jovem recém-casado, Martin Guerre deixou a sua vila do Languedoc, reaparecendo uma dúzia de anos mais tarde, quando já um outro camponês lhe tinha usurpado a identidade, a mulher e a propriedade. Este caso deu origem, em 1560, em Toulouse, a um dos processos judiciais mais famosos do século XVI e, mais tarde, através do relato elaborado pelo juiz Jean de Coras, a um dos primeiros best-sellers da edição moderna. Quem eram o verdadeiro e o falso Martin Guerre? Quais as motivações da enigmática Bertrande de Rols e qual o papel desempenhado pela aldeia de Artigat?
A investigação da conhecida historiadora Natalie Zemon Davis, consultora do filme Le Retour de Martin Guerre (1982) de Daniel Vigne, protagonizado por Gérard Depardieu e Nathalie Baye, acrescenta novas dimensões a esse famoso caso, que inspirou também a obra Sommersby (1993), dirigida por Jon Amiel, com Jodie Foster e Richard Gere.
Assinalando os 25 anos do aparecimento deste livro em inglês, e sublinhando a importância de uma obra que é hoje um clássico da Micro-história, a edição
portuguesa inclui um ensaio recente em que a autora regressa à estória de Martin Guerre e aos problemas que esta levanta em torno da identidade e da memória, para nos dar um testemunho espantoso sobre a "escrita da história".
«Só podemos admirar Natalie Davis pelo trabalho extraordinário de reconstrução histórica que levou a cabo sem qualquer tipo de condicionamento ideológico.»
Emmanuel Le Roy Ladurie, New York Review of Books + |
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Segredos, Conflito e Poder na Igreja Peninsular do Século XIII |
PETER LINEHAN
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As Senhoras de Zamora conta a história de um convento de freiras numa cidade espanhola do século XIII, das suas guerras com o bispo, da sua relação em tudo amigável com os frades dominicanos locais e das consequências mais vastas das suas acções.
Baseado em documentos inéditos do inquérito ao caso que envolveu as freiras e os Dominicanos de Zamora, o livro torna mais nítido um conjunto de aspectos deste período raramente tratados: as tensões entre as ordens mendicantes e as autoridades eclesiásticas locais; a religiosidade ducentista, em particular a religiosidade feminina; e os conluios nas altas esferas do poder, tanto em Castela como na cúria papal.
Para além do mero relato de acontecimentos, envolvendo freiras apanhadas em flagrante ao portão do convento, encurraladas por frades tumescentes na enfermaria e no forno conventuais, dando mau olhado à prioresa e ameaçando o seu bispo com robustos varapaus, a obra põe a nu as realidades da vida dentro e fora de um claustro nos anos finais século XIII, um tempo que ficou marcado pelas grandes conquistas da Espanha cristã frente ao Islão andaluz.
A edição portuguesa é complementada por um estudo recente que o autor dedicou a uma das figuras centrais da história: o bispo de Zamora, Suero Pérez.
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