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A Confraria de S. Crispim e S. Crispiniano do Porto (séculos XIV a XVI) |
ARNALDO SOUSA MELO, HENRIQUE DIAS, MARIA JOãO OLIVEIRA E SILVA
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| Título Palmeiros e Sapateiros |
| Colecção Fio do Norte |
| Autores
Arnaldo Sousa Melo, Henrique Dias, Maria João Oliveira e Silva |
| ISBN 978-989-8171-03-0 |
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| Publicação Outubro 2008 |
| Encadernação Capa mole |
| Formato 17 x 23,5 cm |
| Páginas 176 |
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| PVP € 12,60 |
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| Existe na Cidade do Porto uma Irmandade ou Confraria antiga, que guarda nos seus arquivos muita documentação desde a Idade Média. Mudou de sítio, da baixa ribeirinha para o alto da cidade, mas não perdeu o precioso tesouro da sua documentação. É a Irmandade de S. Crispim e de S. Crispiniano, padroeiros dos sapateiros e de todos os fabricantes de couros e calçado, a Confraria e Hospital dos Palmeiros. (Geraldo J. A. Coelho Dias, antigo Professor da Faculdade de Letras do Porto)
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PALMEIROS E SAPATEIROS |
A Confraria de S. Crispim e S. Crispiniano do Porto (séculos XIV a XVI) |
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“Existe na Cidade do Porto uma Irmandade ou Confraria antiga, que guarda nos seus arquivos muita documentação desde a Idade Média. Mudou de sítio, da baixa ribeirinha para o alto da cidade, mas não perdeu o precioso tesouro da sua documentação. É a Irmandade de S. Crispim e de S. Crispiniano, padroeiros dos sapateiros e de todos os fabricantes de couros e calçado, a Confraria e Hospital dos Palmeiros.
Na verdade, como é sabido, a sociedade medieval era uma sociedade de ordens e na humilde ordem dos “laboratores”, trabalhadores e mesteirais, do pobre Zé Povinho, enfim, havia grande variedade, conforme os ofícios ou profissões, que se exerciam. Era, assim, em todas as cidades medievais e, no Porto, também.
De facto, há muito que são conhecidos os mesteirais do Porto, agrupados em Confrarias ou Irmandades, alistados sob as respectivas bandeiras e, muitas vezes, arruados por capelas, e que já foram sinteticamente estudados por António Cruz (1943), enquanto precursores das Corporações. Entre os séculos XIV-XV, os mesteirais do Porto possuíam já uma grande consciência de classe e uma capacidade de organização que lhes permitia “dar voz” nas reuniões do Concelho (Vereações de 10/VII/1368) e participar com suas famílias em irmandades de actividades religiosas, ou partilhar socorro na velhice, nas doenças e na morte. Havia alfaiates, sob o patrocínio de Nossa Senhora de Agosto e de S. Bom Homem, na capela reconstruída à entrada da Rua do Sol; barbeiros sob a protecção de S. Brás com altar na igreja do convento de S. Domingos; barbeiros, protegidos de S. Jorge, com altar na igreja de Nossa Senhora da Graça; botoeiros, sob a protecção de Santa Ana, com altar na igreja do convento de S. Francisco; caldeireiros, cabeiros, douradores, espadeiros e ferrageiros sob a protecção de Nossa Senhora da Saúde e S. Vicente, com capela no claustro da Sé Catedral; carpinteiros, enxambladores, escultores, violeiros, caixeiros e torneiros, sob a protecção de S. José e de S. Brás, com altar e capela no convento de S. Francisco; ferreiros, serralheiros, anzoleiros sob a protecção de Nossa Senhora da Silva na sua capela, à Rua dos Caldeireiros; sapateiros, surreadores e tamanqueiros, sob a protecção de S. Crispim e S. Crispiniano, na Capela dos Palmeiros, junto à Ponte Nova; latoeiros, sob a protecção de S. Gonçalo com capela na Sé Catedral; esteiros e correeiros sob a protecção de S. Gonçalo com altar na igreja do convento de S. Domingos; ourives, sob a protecção de Santo Elói, com altar na igreja de S. Nicolau; pedreiros e taipeiros sob a protecção de Santa Luzia. Nesta enumeração, não procurámos ser exaustivos, mas, como se poderá verificar, algumas destas capelas e altares ainda existem; outras sofreram mudanças e deslocações.
É o caso da Igreja de S. Crispim e Crispiniano, que, hoje, existe como igreja aberta ao culto, bonita e com mesa administrativa própria e activa, ao cimo da Rua de Santos Pousada, em frente à Praça Rainha D. Amélia. Apesar das andanças, uma vez que foi preciso deslocá-la, em 1878, para se abrir a Rua de Mouzinho da Silveira, conservou grande parte do seu espólio documental, que, agora, está cuidadosamente arrumado e inventariado. O Provedor, Sr. Ângelo Carneiro, tem sido um verdadeiro mecenas para o embelezamento da igreja, para a conservação do património e para a restauração de autênticos cimélios artísticos e documentais. Desta feita, patrocina a publicação de alguns documentos membranáceos, em pergaminho, e o inventário da documentação existente em arquivo, agora, cientificamente, organizada. Aqui está, pois, um exemplo de dedicação religiosa e cultural, onde a honra de presidir se realiza como arte de servir.” |
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