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Um Tema de Propaganda Dinástica |
ARMINDO DE SOUSA
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| Título A Morte de D. João I |
| Colecção Micro-histórias |
| Autores
Armindo de Sousa |
| ISBN 978-989-8171-08-5 |
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| Publicação Abril 2009 |
| Encadernação Capa mole |
| Formato 138 x 215 mm |
| Páginas 106 |
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| PVP € 13,00 |
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| «Há na História de Portugal um sem-número de acontecimentos cuja cronologia parece definitivamente adquirida e sobejamente divulgada de tal forma que
bulir-lhe assume foros de ousadia. Figura entre eles o da morte de D. João I, datado, como é sabido, de 14 de Agosto de 1433». Partindo de uma recôndita
declaração do Infante D. Pedro a um texto de cariz legislativo, que antecipa este acontecimento em um dia, Armindo de Sousa percorre e reavalia
sucessivamente os testemunhos conhecidos, desde as crónicas de Rui de Pina e de Gomes Eanes de Zurara até ao Livro dos Conselhos de D. Duarte, passando pelo próprio epitáfio do Mestre de Avis. Num exercício magistral de crítica histórica, o autor fornece-nos as várias chaves de leitura que permitem descodificar
os textos analisados e perceber os mecanismos através dos quais a morte do rei foi convertida num motivo de legitimidade para a nova dinastia.
«Num dos estudos mais marcantes da renovação historiográfica portuguesa dos anos 80, Armindo de Sousa faz, de um testemunho documental que contradiz a unânime afirmação dos cronistas do século XV, o indício de um complexo acto de propaganda política, e reconstitui os pressupostos ideológicos e mentais que lhe dão significado. Com notável erudição, grande sensibilidade aos textos medievais e excepcionais capacidades de análise e de sentido crítico, o autor soube fazer de um pormenor aparentemente insignificante o indício de um complexo feixe de motivações históricas.»
José Mattoso Ler excerto |
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A MORTE DE D. JOãO I |
Um Tema de Propaganda Dinástica |
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“Há na História de Portugal um sem número de acontecimentos cuja cronologia parece definitivamente adquirida e sobejamente divulgada de tal forma que bulir-lhe assume foros de ousadia. Figura entre eles o da morte de D. João I, datado, como é sabido, de 14 de Agosto de 1433. Nunca esta data foi objecto de contradição nem reserva.
Ora, em pesquisas que efectuámos por documentos do Arquivo Distrital do Porto, para fim muito diverso deste estudo, foi-nos dado topar com um pergaminho datado de 1450, pública-forma duma carta régia de 1448, onde, a certo passo, se diz isto: «E por nom vir em duujda o dito senhor Rey dom Joham se finou treze dias d(e) agosto do nasçimento de nosso senhor Jhesu christo de mjll iiij e xxxiij anos». Antecipa-se de um dia a morte do Mestre de Avis.
Merecerá a pena analisar e discutir esta notícia? Embora ela não venha alterar, muito nem pouco, o quadro dos conhecimentos históricos da época − daqueles que realmente são importantes − certo é que, suposta fidedigna, não pode deixar de ser contemplada, em prol do rigor que os registos cronográficos hão-de sempre comportar e da consideração que merecem ao investigador os testemunhos que proferem lições discordantes. Por essa razão, e sobretudo pelo interesse que possa ter a dilucidação dos motivos responsáveis pela atribuição ao mesmo facto de datas diferentes, resolvemos trazer a público as páginas que se seguem.
Os monumentos historiográficos tidos como fontes de informação sobre o dia da morte de D. João I, aqueles que têm autorizado directamente a data consagrada de 14 de Agosto de 1433, são, por ordem de notoriedade decrescente, os seguintes:
1.º – a Crónica de D. Duarte de Rui de Pina, capitulo I ;
2.º – a Crónica do Conde D. Pedro de Meneses de Gomes Eanes de Zurara, capítulo XXX da 2.ª Parte;
3.º – a Crónica do Conde D. Duarte de Meneses, do mesmo cronista, capítulo X;
4.º – o Epitáfio de D. João I em prosa latina;
5.º – o Instrumento de Certidão do Milagre da Cera, de 14 de Agosto de 1437;
6.º – o Manuscrito 80, Fundo Antigo, da Biblioteca Pública Municipal do Porto;
7.º – o Livro dos Conselhos de El¬ Rei D. Duarte, capítulo 52.
Estes sete documentos são unânimes em afirmar que o monarca faleceu na véspera da Festa da Assunção da Virgem Maria; todos, excepto o Epitáfio, especificam que o dia foi 14 de Agosto; os dois últimos vão até ao pormenor de esclarecer que o decesso ocorreu pelas duas horas da madrugada.
Vejamos cada um em especial.”
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